A Saga da NVIDIA

Da startup à empresa mais valiosa do mundo: A história da NVIDIA

Imagine a cena: três engenheiros, sentados em uma lanchonete Denny’s na Califórnia, discutindo o futuro da computação em 1993. O mundo estava prestes a descobrir a internet comercial, os computadores pessoais ainda eram grandes caixas cinzas e os gráficos 3D eram um luxo para poucos. Eles tinham uma ideia ousada: e se pudéssemos criar um chip dedicado apenas para acelerar imagens em três dimensões, transformando como jogamos e trabalhamos?

Essa ideia parecia loucura para a maioria dos investidores da época. O mercado de PCs estava focado em CPUs, o coração do computador, e a Microsoft dominava o software. Gráficos eram vistos como um nicho para nichos. Mas aqueles três homens — Jensen Huang, Chris Malachowsky e Curtis Priem — tinham uma visão que ultrapassava as planilhas financeiras do momento. Eles acreditavam que a computação acelerada seria o próximo grande salto.

Trinta e um anos depois, aquela startup nascida em uma lanchonete não apenas sobreviveu a crises e fracassos brutais, como também se tornou a empresa mais valiosa do mundo, ultrapassando gigantes consolidadas como Microsoft, Apple e Google em valor de mercado. A jornada da NVIDIA é mais do que uma história de sucesso empresarial; é um épico de hardware, uma aposta de décadas em uma tecnologia que ninguém entendia, e uma transformação que moldou o mundo moderno, desde os games que amamos até a Inteligência Artificial que está redefinindo o futuro da humanidade.

A Oficina Tech te convida para um mergulho profundo, detalhado e humanizado na história da NVIDIA. Prepare-se para conhecer os bastidores da criação da GPU, as apostas arriscadas que quase faliram a empresa, a revolução do CUDA, e como ela se tornou o motor invisível, mas indispensável, do século XXI.

Jensen Huang: O líder de jaqueta de couro e sua visão inabalável

Para entender a NVIDIA, você precisa entender Jensen Huang. Nascido em Taiwan, Huang mudou-se para os Estados Unidos ainda criança. Sua trajetória acadêmica foi brilhante, culminando em engenharia elétrica na Oregon State University e um mestrado em Stanford. Antes de fundar a NVIDIA, ele trabalhou na LSI Logic e na AMD, ganhando experiência vital no design de microchips.

Mas Huang não é um CEO comum. Conhecido por sua indefectível jaqueta de couro preta, que ele usa em quase todas as aparições públicas — diz a lenda que ele tem dezenas do mesmo modelo no armário — ele exala uma mistura de intensidade técnica e carisma de visionário. Huang não é apenas o rosto da empresa; ele é o arquiteto da sua estratégia de “aposta total” (all-in).

Ele é famoso dentro da empresa por sua filosofia de “tolerância ao fracasso, mas intolerância à mediocridade”. Huang acredita que, para inovar, a NVIDIA precisa estar disposta a falhar em projetos ambiciosos, desde que aprenda rápido e nunca se acomode. Essa mentalidade foi crucial nos primeiros anos, quando a empresa esteve à beira da falência. Huang não estava interessado em criar apenas “mais uma placa de vídeo”; ele queria criar um novo paradigma de computação. Sua visão inabalável de que a GPU mudaria o mundo, mesmo quando o mercado discordava, é o fio condutor de toda essa história.

O nascimento da NVIDIA e os primeiros anos difíceis

A NVIDIA foi fundada oficialmente em 5 de abril de 1993, com um capital inicial de apenas US$ 40.000. O nome é uma combinação de “nv” (próxima versão, em inglês) e “invidia” (a palavra latina para inveja). Eles queriam criar um hardware que fizesse os concorrentes ficarem verdes de inveja.

A visão era clara: o mercado de PCs estava prestes a explodir e os gráficos 3D seriam a próxima fronteira para os games. A computação tradicional, baseada na CPU, era serial — processava uma tarefa de cada vez. Gráficos 3D, no entanto, exigem processamento paralelo massivo: milhares de triângulos e pixels precisam ser calculados simultaneamente para formar uma imagem em movimento. Eles precisavam de um processador dedicado para isso.

O fracasso do NV1 e a lição amarga

O primeiro produto da empresa foi o NV1, lançado em 1995. Foi um chip ambicioso e complexo, que tentava fazer tudo: áudio, vídeo e processamento 2D/3D. Mas ele tomou uma decisão de design que se provou desastrosa: utilizava superfícies quadráticas (curvas) para renderizar 3D, em vez dos triângulos (polígonos) que estavam se tornando o padrão da indústria, especialmente com o lançamento do Direct3D da Microsoft e de jogos como Tomb Raider.

O NV1 foi um fracasso comercial retumbante. Ninguém queria programar para a arquitetura proprietária da NVIDIA quando o resto do mundo estava adotando os polígonos. A empresa gastou quase todo o seu capital no desenvolvimento e marketing do chip. A NVIDIA estava a semanas de fechar as portas. Foi uma lição amarga sobre a importância de adotar padrões de mercado, mas também um momento de clareza para Jensen Huang. Eles precisavam focar em uma única coisa e ser os melhores nela: aceleração 3D baseada em polígonos.

A invenção da GPU e a revolução da GeForce 256

Com a empresa respirando por aparelhos, Huang tomou uma decisão drástica: cancelar o desenvolvimento do NV2 e focar todos os recursos em um chip que adotasse o padrão de polígonos. O resultado foi o RIVA 128 (Real-time Interactive Video and Animation), lançado em 1997.

O RIVA 128 foi um sucesso estrondoso. Ele era significativamente mais rápido que a concorrência (como as placas da 3dfx Voodoo) e, crucialmente, suportava os padrões Direct3D e OpenGL. A NVIDIA finalmente tinha um produto vencedor. O RIVA 128 colocou a empresa no mapa, mas eles estavam apenas começando.

Em 1999, a NVIDIA lançou o chip que mudaria a indústria para sempre: o GeForce 256. Pela primeira vez, a empresa cunhou o termo GPU (Unidade de Processamento Gráfico). O GeForce 256 não era apenas um acelerador; ele era o primeiro processador dedicado que integrava em um único chip os cálculos de geometria (Transform and Lighting – T&L) e a renderização de pixels.

Isso libertou a CPU de tarefas gráficas pesadas, permitindo gráficos muito mais complexos e detalhados nos games. O GeForce 256 definiu o que uma placa de vídeo moderna deveria ser. Foi o nascimento da marca GeForce, que se tornaria sinônimo de hardware de ponta para gamers nas décadas seguintes. A NVIDIA não estava mais apenas seguindo padrões; ela estava criando-os.

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Como a NVIDIA revolucionou os games (e o mundo)

O GeForce 256 foi apenas o início de uma dominação avassaladora no mercado de games. A NVIDIA estabeleceu um ritmo de lançamento alucinante, introduzindo novas arquiteturas e tecnologias a cada dois anos. A empresa entendeu que os gamers eram os primeiros adotantes (early adopters) mais exigentes e que sua demanda por gráficos cada vez mais realistas impulsionaria a inovação.

Gráficos que antes eram exclusivos de estações de trabalho profissionais de dezenas de milhares de dólares agora estavam acessíveis em PCs domésticos. Jogos como Quake III Arena, Unreal Tournament e, mais tarde, Crysis e Half-Life 2, desafiaram os limites do que era possível em tempo real, sempre impulsionados pelas mais novas placas de vídeo NVIDIA.

A empresa não apenas fabricava o chip; ela cultivava o ecossistema. Criou ferramentas para desenvolvedores de jogos, otimizou drivers e investiu pesado em marketing, tornando as festas de lançamento de novas GeForce eventos imperdíveis para a comunidade. O mercado de games de PC explodiu, e a NVIDIA era sua rainha indiscutível, vendendo milhões de unidades e consolidando uma base de fãs leal.

A aposta do bilhão: O nascimento do CUDA e a GPU de propósito geral

Enquanto a marca GeForce crescia, um pequeno grupo de engenheiros da NVIDIA, liderado por Ian Buck, percebeu algo fundamental: as GPUs eram, em essência, calculadoras paralelas maciças. Elas não calculavam apenas pixels; calculavam matemática. E se pudéssemos usar essa imensa capacidade de processamento para outras coisas além de desenhar triângulos?

Cientistas e pesquisadores em universidades já estavam tentando “hackear” placas de vídeo para rodar simulações complexas de física, química e biologia, mas era um processo doloroso, que exigia “enganar” a placa para que ela achasse que estava renderizando gráficos quando na verdade estava calculando dobradura de proteínas.

Em 2006, a NVIDIA lançou o CUDA (Compute Unified Device Architecture). O CUDA é uma plataforma de computação paralela e um modelo de programação que permite aos desenvolvedores usar a linguagem C/C++ para programar a GPU diretamente, sem a necessidade de passar por APIs gráficas complexas.

Foi uma aposta colossal. A NVIDIA investiu bilhões de dólares no desenvolvimento do CUDA, incluindo a modificação de cada arquitetura de chip para que ela fosse compatível. Durante anos, o CUDA foi um ralo de dinheiro. Os gamers não se importavam com ele e o mercado profissional ainda não o entendia. Wall Street puniu as ações da empresa, questionando por que Jensen Huang estava gastando tanto dinheiro em um projeto de nicho para cientistas em vez de focar 100% em games.

A paciência estratégica e a importância para cientistas

Huang, no entanto, teve uma paciência estratégica de décadas. Ele via o CUDA não como um produto, mas como um novo paradigma. Ele acreditava que a computação estava mudando de serial (CPU) para paralela (GPU) em todas as áreas, não apenas nos gráficos.

Lentamente, a aposta começou a pagar dividendos. Cientistas ao redor do mundo abraçaram o CUDA. Simulações meteorológicas que levavam semanas em supercomputadores baseados em CPU agora podiam ser rodadas em dias em um cluster de GPUs NVIDIA. A pesquisa contra o câncer, o design de novos materiais e a exploração de petróleo e gás foram acelerados dramaticamente. O CUDA transformou a GPU de um acessório de games em uma ferramenta científica indispensável. Mas a verdadeira revolução ainda estava por vir.

O encontro do século: O crescimento da Inteligência Artificial

Enquanto o CUDA ganhava tração no mundo científico, uma nova área de pesquisa estava começando a fervilhar: o “Deep Learning” (Aprendizado Profundo), uma vertente da Inteligência Artificial. A ideia não era nova, mas os pesquisadores esbarravam em um obstáculo monumental: treinar redes neurais profundas exigia uma quantidade insana de processamento matemático paralelo e dados.

CPUs tradicionais eram lentas demais para isso. Tentativas de usar supercomputadores antigos eram caras e ineficientes. Foi então que, por volta de 2012, pesquisadores como Alex Krizhevsky, Ilya Sutskever e Geoffrey Hinton perceberam que as GPUs da NVIDIA, programadas com CUDA, eram as calculadoras perfeitas para o Deep Learning.

A rede neural “AlexNet”, treinada em duas GPUs NVIDIA GeForce, destruiu a concorrência na prestigiada competição ImageNet de reconhecimento de imagem. Foi o “momento do Big Bang” da IA moderna.

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Jensen Huang percebe o momento: A guinada para a IA

Diferente de outros CEOs que poderiam ter ignorado esse nicho acadêmico, Jensen Huang percebeu imediatamente a magnitude do que estava acontecendo. Ele entendeu que a Inteligência Artificial não era apenas “mais uma aplicação” para as suas GPUs; era a maior revolução tecnológica da história, e a NVIDIA detinha as “pás e picaretas” essenciais para essa nova corrida do ouro.

Huang ordenou que toda a empresa se voltasse para a IA. Eles não estavam mais apenas fabricando placas de vídeo NVIDIA para games; eles estavam fabricando a infraestrutura para a inteligência sintética. A empresa começou a desenvolver chips específicos para os data centers que treinavam essas IAs (como as linhas Tesla, Volta, Ampere e, mais tarde, Hopper e Blackwell).

Mais importante ainda, eles investiram pesadamente no software. O ecossistema CUDA foi otimizado para as principais bibliotecas de IA, como TensorFlow e PyTorch. A NVIDIA não vendia apenas silício; ela vendia uma solução completa de hardware e software para IA. Enquanto rivais como Intel e AMD tentavam reagir, a NVIDIA estava uma década à frente na construção do ecossistema.

O impacto avassalador do ChatGPT e a explosão da demanda

A estratégia de “aposta total” em IA de Huang culminou em novembro de 2022, com o lançamento do ChatGPT pela OpenAI. O mundo ficou chocado com a capacidade do chatbot de gerar textos, códigos e responder perguntas de forma humanizada.

O ChatGPT não foi treinado em CPUs da Intel ou AMD. Ele foi treinado em milhares de GPUs NVIDIA A100 em data centers maciços da Microsoft. O sucesso do ChatGPT desencadeou uma corrida armamentista global. Google, Microsoft, Amazon, Meta, startups de IA e governos ao redor do mundo correram para comprar o máximo de GPUs NVIDIA que pudessem encontrar.

Todos perceberam que o futuro dos seus negócios — e talvez das suas nações — dependia da capacidade de computação em IA. E a única empresa que podia fornecer essa capacidade em escala, com o desempenho e o ecossistema de software necessários, era a NVIDIA.

A demanda pelas GPUs de data center da empresa (como as H100 e H200) superou todas as previsões. Houve escassez global. Os chips da NVIDIA, que antes eram usados para renderizar triângulos em Call of Duty, tornaram-se o recurso mais precioso do século XXI, mais importante do que o petróleo para a nova economia digital.

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De startup a empresa trilionária e mais valiosa do mundo

O impacto financeiro foi nada menos que histórico. A NVIDIA, que em 1993 era uma startup com US$ 40.000, e em 1999 abriu capital (IPO) valendo cerca de US$ 625 milhões, viu seu valor de mercado explodir de forma nunca antes vista na história das grandes corporações.

Em maio de 2023, a NVIDIA atingiu a marca de US$ 1 trilhão em valor de mercado, juntando-se a um clube exclusivo com Apple, Microsoft e Alphabet (Google). Em março de 2024, ela ultrapassou os US$ 2 trilhões. E, finalmente, em junho de 2024, em um momento de pico de entusiasmo com a IA, a NVIDIA ultrapassou brevemente a Microsoft e a Apple para se tornar, oficialmente, a empresa mais valiosa do mundo, atingindo uma capitalização de mercado superior a US$ 3,3 trilhões.

Essa ascensão foi impulsionada por receitas e lucros estratosféricos vindos da sua divisão de data centers. Enquanto a divisão de games continuava forte, ela se tornou secundária em termos de receita diante da explosão da IA. A NVIDIA havia se transformado de uma “empresa de chips para games” em uma “empresa de plataforma de computação em IA”.

Ela não estava apenas vendendo chips; ela estava definindo os padrões de como o futuro seria construído. Seus lucros não eram baseados em margens de hardware tradicionais, mas em margens de software e plataforma, comparáveis às de gigantes de software como a Microsoft. A aposta de US$ 1 bilhão e duas décadas de Jensen Huang no CUDA e na computação acelerada havia se provado o investimento mais lucrativo da história da tecnologia.

Curiosidades que você provavelmente não sabia sobre a NVIDIA

A jornada da NVIDIA é repleta de reviravoltas e fatos fascinantes. Separamos algumas curiosidades pouco conhecidas sobre a empresa e seu CEO:

  • O Denny’s foi o berço: O Denny’s onde os fundadores se reuniram em 1993 não era apenas uma lanchonete; era o “escritório” deles. A NVIDIA era tão pobre no início que eles não tinham um local físico para trabalhar, então passavam horas no Denny’s, consumindo café e usando a mesa como mesa de reunião, até que o gerente os expulsasse. Huang já trabalhou como garçom e lavador de pratos em um Denny’s quando era adolescente.
  • A tatuagem de Jensen: Quando a NVIDIA atingiu pela primeira vez a marca de US$ 100 por ação, Jensen Huang fez uma promessa aos funcionários e tatuou o logo da empresa no braço esquerdo. Ele já disse em entrevistas que a experiência foi tão dolorosa que ele não pretende fazer outra, mesmo com a empresa valendo trilhões.
  • O chip que quase faliu a SEGA: O fracassado NV1 foi o processador escolhido pela SEGA para as placas de arcade Model 3 e para o desenvolvimento inicial do console Dreamcast. Quando a NVIDIA percebeu que a renderização quadrática do NV1 estava obsoleta e cancelou o NV2, a SEGA teve que correr para encontrar um novo chip para o Dreamcast (que acabou usando o chip PowerVR da NEC).
  • Quase comprada pela Microsoft? Nos anos 2000, durante o desenvolvimento do primeiro Xbox (que usava um chip da NVIDIA), houve fortes rumores de que a Microsoft estava considerando comprar a empresa. A Microsoft acabou criando seus próprios chips para o Xbox 360 e, mais tarde, adotando chips da AMD, mas a história da tecnologia teria sido muito diferente se essa aquisição tivesse ocorrido.
  • O nome original: Antes de se decidirem por “NVIDIA”, os fundadores consideraram chamar a empresa de “Real-time Interactive Video and Animation”, o que acabou se tornando o acrônimo RIVA no chip que salvou a empresa.
  • A GPU nas Olimpíadas: A capacidade de processamento paralelo das GPUs da NVIDIA é tão impressionante que elas são usadas para simular o comportamento do vento em estádios olímpicos, ajudando engenheiros a otimizar o design para atletas de elite.
  • A NVIDIA e o primeiro supercomputador de IA: Jensen Huang doou pessoalmente o primeiro supercomputador de IA da NVIDIA, o DGX-1, para a OpenAI em 2016, acreditando que a tecnologia deles ajudaria a acelerar o desenvolvimento da IA generativa. Ele estava certo.

O futuro da NVIDIA: Além dos chips e da IA Generativa

O sucesso atual é estonteante, mas para Jensen Huang, o trabalho nunca termina. Ele opera sob o lema de que a empresa está sempre “a 30 dias da falência”, uma mentalidade que impede a complacência. Então, qual é o futuro da empresa mais valiosa do mundo?

A NVIDIA já está olhando além da IA Generativa e dos grandes modelos de linguagem (LLMs). O próximo grande salto é a “IA Física” e a robótica. Huang acredita que o treinamento de IAs no mundo digital foi o primeiro passo, mas que o verdadeiro potencial da IA será realizar tarefas no mundo físico.

A empresa está desenvolvendo a plataforma Isaac para robótica e a plataforma Drive para veículos autônomos. A NVIDIA quer criar o “cérebro” para robôs e carros que podem navegar, interagir e trabalhar em ambientes complexos e não estruturados. Ela imagina um futuro onde cada fábrica, depósito e carro será operado por sistemas autônomos impulsionados por hardware e software NVIDIA.

Eles também estão investindo pesadamente em biologia digital e descoberta de novos materiais, usando IA para simular interações moleculares em velocidades nunca antes imaginadas. Para a NVIDIA, a computação acelerada não é apenas sobre fazer os jogos rodarem mais rápido ou treinar chatbots; é sobre criar as ferramentas para a humanidade resolver seus problemas mais difíceis, desde as mudanças climáticas até a cura de doenças.

O desafio será manter a posição de liderança em um mercado que está se tornando cada vez mais competitivo. Rivais históricos como a AMD estão lançando placas de vídeo de IA cada vez mais potentes. Gigantes da tecnologia como Google, Amazon e Microsoft estão desenvolvendo seus próprios chips de IA proprietários para reduzir a dependência da NVIDIA. A geopolítica também é um risco, com restrições de exportação para a China afetando as receitas da empresa. Mas, se a história nos ensinou algo, é que nunca devemos apostar contra a visão de Jensen Huang e a capacidade da NVIDIA de se reinventar.

Produtos NVIDIA que valem a pena conhecer

A NVIDIA é uma gigante que atua em frentes que vão de supercomputadores a carros autônomos, mas para o consumidor final, a marca é mais conhecida por seu hardware para PC. Se você está montando ou atualizando seu computador, aqui estão as categorias de produtos que definem a presença da empresa na Oficina Tech:

  • Placas de vídeo NVIDIA GeForce RTX: Esta é a linha principal para gamers e criadores de conteúdo. As placas RTX (que sucederam a lendária marca GTX) são conhecidas por duas tecnologias revolucionárias: Ray Tracing (traçado de raios em tempo real para iluminação fotorrealista) e DLSS (Deep Learning Super Sampling, que usa IA para aumentar a taxa de quadros mantendo a qualidade de imagem). Elas são indicadas para quem quer a melhor performance em jogos competitivos com altas taxas de FPS, ou para quem quer desfrutar de visuais impressionantes com Ray Tracing nos jogos AAA mais modernos. Criadores de conteúdo, editores de vídeo e designers também se beneficiam da aceleração por hardware das placas RTX em softwares profissionais.
  • NVIDIA Broadcast: Este não é um produto de hardware, mas um software indispensável para streamers e criadores de conteúdo que possuem uma placa RTX. Ele usa os Tensor Cores da GPU (núcleos dedicados para IA) para remover ruídos de fundo do microfone, criar fundos virtuais sem necessidade de tela verde (chroma key) e manter a câmera enquadrada automaticamente no rosto do usuário. É um exemplo perfeito de como a NVIDIA usa sua tecnologia de IA para melhorar o dia a dia dos usuários de PC.
  • Desempenho para jogos e produtividade: equipado com processadores Intel Core de 12ª geração para multitarefa, streaming,…
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  • Laptops com GeForce RTX: A NVIDIA investiu pesado na tecnologia Max-Q para levar o desempenho das GPUs de desktop para notebooks finos e leves. Laptops equipados com GeForce RTX são ideais para estudantes, profissionais que precisam de mobilidade sem sacrificar a performance para criação de conteúdo ou engenharia, e gamers que querem levar sua biblioteca de jogos para qualquer lugar.

A NVIDIA mudou completamente como enxergamos a tecnologia, transformando uma ferramenta de lazer em um pilar da inovação global. Se você quer garantir o melhor desempenho e as tecnologias mais modernas na sua máquina, conhecer os produtos NVIDIA é o primeiro passo.

Conclusão: De lanchonete a motor da civilização digital

A história da NVIDIA é um testemunho poderoso do impacto da paciência estratégica, da aposta total na inovação e da coragem de manter uma visão inabalável, mesmo quando o resto do mundo discorda. A empresa que começou em um Denny’s em 1993, buscando apenas fazer os triângulos dos games parecerem mais bonitos, tornou-se a arquiteta invisível, mas indispensável, do século XXI.

O lançamento do CUDA e a adoção precoce da Inteligência Artificial não foram golpes de sorte; foram apostas arriscadas, de bilhões de dólares e décadas de desenvolvimento, lideradas por um CEO que entendeu que a computação estava mudando de serial para paralela. Jensen Huang e sua equipe criaram não apenas chips, mas uma plataforma completa de hardware e software que se tornou a base para tudo, desde os games que amamos até a IA que está redefinindo o que significa ser humano.

A NVIDIA não é apenas a empresa mais valiosa do mundo; ela é a empresa que detém o motor da civilização digital moderna. Ela mudou completamente como jogamos, trabalhamos, criamos arte e fazemos ciência. Ao olharmos para o futuro da IA, da robótica e da computação acelerada, é inegável que os alicerces foram e continuarão sendo construídos pela empresa que nasceu em uma lanchonete. A jornada foi longa, repleta de fracassos e riscos, mas o resultado final é uma das histórias de sucesso mais extraordinárias da história da tecnologia.

Mas, e você? Qual é a sua placa de vídeo NVIDIA favorita ou qual momento dessa história você achou mais impressionante? Você acha que a empresa vai manter a posição de mais valiosa do mundo diante da concorrência? Comente abaixo sua opinião e vamos continuar essa conversa sobre o futuro do hardware e da IA na Oficina Tech!

Responsável editorial pelo Oficina Tech, produz e revisa conteúdos sobre computadores, hardware, celulares e periféricos. Os artigos são desenvolvidos com pesquisa em fontes oficiais e conferência de especificações técnicas, buscando oferecer informações claras e úteis aos leitores.

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